Brasil

Cozinha natural e vegana abre novas portas para os negócios

No mercado desde 2000, a Sathya Nutrição Intregral é testemunha de um mercado em franca expansão e bastante competitivo



Verinha Fernandes, da Sathya Nutrição Integral, atua na área há quase 20 anos (Foto: Guilherme Fernandes)
Verinha Fernandes, da Sathya Nutrição Integral, atua na área há quase 20 anos (Foto: Guilherme Fernandes)

Em 2000, dona Verinha Fernandes e sua família decidiram se tornar vegetarianos. A decisão veio pela vontade de ter uma alimentação mais saudável e como todos que optam por essa dieta, especialmente 18 anos atrás, ela logo encontrou algumas barreiras: o preço alto ou dificuldade para encontrar facilmente esses produtos.

Ela logo encontrou uma forma de contornar esses percalços ao seu modo: “eu tive que fazer um curso de comidas mais naturalistas e com isso fui aprendendo receitas e me tornando uma boa cozinheira na área”, conta. Isto logo lhe abriu uma nova e inesperada porta para os negócios. “Comecei a fazer por encomenda com alguns amigos pedindo”, disse, e pouco depois, conforme as encomendas foram aumentando, ela criou sua própria marca, a Sathya Nutrição Integral, se tornou nutricionista e vem desenvolvendo receitas há quase 20 anos.

De lá pra cá, muita coisa mudou para melhor. O mercado de comida natural não para de crescer no mundo todo. Segundo pesquisa de março deste ano do Euromonitor, o mercado de alimentação saudável cresce 8% ao ano no mundo todo.

No Brasil não é diferente. Ainda segundo o Euromonitor, em 2016 o mercado de comidas saudáveis movimentou R$ 93,6 bilhões por aqui, colocando o país na quinta posição no ranking mundial de países que mais produzem e consomem esse tipo de produto.

É difícil ver um momento de virada já que o mercado foi crescendo progressivamente. Mas os números brasileiros impressionam: se a taxa de crescimento global é de 8%, aqui ela passa dos 12% ao ano.

Verinha conta que começou a viver da Sathya em 2005 e ela percebe um aumento gradual na procura. Ela conta que a procura aumentou muito de 2015 para cá, mas atribui esse sucesso ao fato de ter se formado em Nutrição, algo que afetou muito positivamente na qualidade da sua produção. “Depois que fiz o curso de Nutrição acho que ganhou mais visibilidade. Quando você diz que o produto foi feito por nutricionista, com conhecimento técnico sobre a composição do alimento, como balancear, combinar, acho que isso melhorou”, explica.

Crise? Que crise?

Neste mesmo período ela percebe uma expansão do mercado não apenas no sentido de volume de consumo, mas na diversificação do público consumidor. “De lá pra cá expandiu mais. O que era antes um nicho de clientela vegetariana, natureba, hoje o alimento saudável e vegano é um modismo, se expandiu para um grupo muito maior de pessoas”, disse Verinha.

Ela conta que sempre vendeu bem, mas antes suas vendas estavam limitadas a um nicho de clientes com um certo perfil. “Eu fazia feiras dentro de escolas de ioga. Sempre tive muita clientela. Agora estou fora do mercadinho de ioga, saí para outros lugares”, conta. Ela participa de uma grande feira de artigos naturais na cidade, que acontece sempre aos sábados com mais de 30 feirantes. Ela já até tem distribuição em algumas lojas: o interesse cresceu tanto que o público quer a facilidade de encontrar esses produtos nas gôndolas.

E deve crescer mais. Segundo a pesquisa Tendências Mundiais de Alimentação e Bebidas 2017, 79% dos brasileiros já substituem algum alimento da sua dieta por um equivalente mais saudável e 24% dos brasileiros comeriam mais grãos se soubessem utilizá-los na sua alimentação cotidiana.

Hoje, a capital já tem, pelo menos, 10 feiras orgânicas. “O mercado em Goiânia ficou muito competitivo, sendo que antes eu era uma das únicas em Goiânia. É um mercado grande que só melhorou”, afirma Verinha, “na feira tem o grupo dos fitness, tem as pessoas mais de idade que querem uma alimentação mais saudável, tem os vegetarianos e veganos que sempre nos procuram por lá e mesmo quem come carne, mas quer produtos mais saudáveis”.

A grande procura tem levado, inclusive, à diversificação dos produtos da empresária: “temos produtos carnívoros, veganos, vegetarianos, sem glúten, sem lactose. Atendemos todos os grupos de intolerantes. Se você fala que tem alergia a ovo, posso fazer todos os meus produtos sem ovo. Se não pode com farinha de trigo, posso fazer sem ela, se não quer açúcar, posso fazer com adoçante. Então faço adaptações na minha receita original baseada na necessidade do cliente”, conta.

 

E ainda há espaço para muitas vertentes. A Sathya vende mais lanches, como quibes, tortas, cookies, além de produtos da culinária indiana e alimentos integrais, mas Verinha conta que na feira é possível encontrar produtos orgânicos, marmitas e muito mais. Não tem mais desculpa pra não ser fit.

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