Cidades

Justiça determina afastamento de PC suspeito de roubar carro em Goiânia

Para Juíza, há indícios de que o policial tenha utilizado seu cargo para se beneficiar com a prática ilícita



(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Um agente da Polícia Civil (PC) foi afastado de seu cargo, na última quarta-feira (6), após suspeitas de ter roubado um carro, no Setor Campinas, em Goiânia. A decisão foi tomada pela juíza Placidina Pires, da 6ª Vara dos Crimes Punidos com Reclusão de Goiânia. A magistrada deferiu o afastamento imediato de Rogério Viana das atividades policiais.

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), Rogério teria fingido interesse na compra de um veículo e aproveitado o momento em que esteve a sós com o vendedor para rendê-lo com uma arma de fogo e levar o automóvel sem pagar por ele. O suspeito teria levado também o celular e dinheiro da vítima.

A magistrada justificou a sua decisão alegando que o exercício da atividade policial mostra-se incompatível com a situação de Rogério. Também há o receio de acarretar prejuízos à segurança pública e de agir em descompasso com os padrões éticos exigidos pelo cargo, caso o agente continue exercendo suas funções.

Entenda o caso

A vítima teria adquirido um VW/Jetta e depois da compra descobrido junto ao Detran que o veículo era “finan”. Por não conseguir entrar em contato com o antigo vendedor, o proprietário então decidiu vendê-lo com valor abaixo da média. O suspeito entrou em contato com a vítima após ela anunciar o veículo em um site de vendas.

Rogério se apresentou como Pedro e manifestou interesse em adquirir o veículo.  Após negociarem o Jetta, ambos decidiram se encontrar, no último 8/1, em um camelódromo próximo do Terminal Praça A, em Campinas, para finalizarem a relação comercial.

No momento da entrega do carro, Rogério teria afirmado ser policial civil e dito que pagaria apenas a metade da quantia combinada. Depois de o suspeito ameaçar apreender o veículo, a vítima aceitou a proposta.

Ambos entraram no veículo para testá-lo. O agente parou em uma rua deserta e anunciou que levaria o veículo sem pagar por ele. Ainda ameaçou a vítima dizendo que a mataria caso decidisse contar a alguém.

O proprietário conseguiu encontrar o suspeito nas redes sociais e descobriu a sua verdadeira identidade. Ele prestou queixa na delegacia e, com as imagens do circuito interno do camelódromo, a polícia identificou Rogério como policial.

Decisão

A juíza, Placidina Pires, salientou que a conduta supostamente praticada por Rogério é concretamente grave. O suspeito “simulou interesse na aquisição do veículo de Alan Vieira, mas, em seguida, mediante grave ameaça – exercida, ao que tudo indica, com o emprego de sua arma de fogo funcional –, e, ao final, em tese, ainda tentou usar o seu cargo para intimidar o ofendido, deixando claro que era agente de polícia”, justifica.

Diante disso, a juíza enfatizou que a medida cautelar de afastamento do exercício de função ou cargo público é cabível sempre que houver indícios de que um servidor público aproveitou de seu cargo, emprego ou função para práticas ilícitas. “A medida tem como finalidade assegurar a instrução processual”, defende.

Mais Goiás entrou em contato com a Polícia Civil, mas até a publicação da matéria, não obtivemos resposta.

*Thaynara da Cunha é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Thaís Lobo